NMSAT :: Networked Music & SoundArt Timeline

1878 __ « A telefonia, a telegrafia e a telescopia » — Teleacoustics
Adriano de Paiva (1847-1907)
Original excerpt 1 : « Pela nossa parte, sem combatermos e existência de analogias incontestáveis entre o telefone de Bell e o telégrafo eléctrico, foi sempre opinião nossa individual, desde que começamos a estudar esta questão, que entre o capítulo da física, a que pode caber a denominação de telefonia e a telegrafia existem distinções essenciais, que se verificam igualmente entre estes dois ramos da ciência e o capítulo da óptica que se ocupa da telescopia. E como este modo de ver nos levou a dirigir a atenção para um estudo que, até há muito pouco, sopúnhamos inteiramente novo, permita-se-nos que desenvolvamos mais as nossas ideias. Quando meditamos um pouco sobre o modo por que é estabelecida a comunicação do homem com a natureza que o cerca, dois dentre os orgãos dos sentidos parecem revelarem-nos desde logo uma importância superior. São o olho e o ouvido; - os dois orgãos cujas funções originaram dois dos mais momentosos ramos da física, a óptica e a acústica. E sendo estes orgãos essencialmente destinados para a observação à distância, nada deve surpreender-nos que logo que deles começou a servir-se, o homem se esforçasse por artificialmente lhes aumentar o alcance. Daqui na sua forma mais rudimentar, a primeira telescopia, e também a primeira telefonia, ou, antes, um ramo particular dela a que poderíamos chamar telacustica (de - ouvir ao longe). Para as relações do homem a homem a natureza destina especialmente orgãos que permitem as articulações vocais. Origina-se assim a palavra; e esta consegue revestir mais tarde uma forma utilíssima fixando-se na escrita. A voz, porém, não sendo audível além duma distância determinada, e o transporte de escrita exigindo um correio, sempre moroso no desempenho do seu mister, tornava-se necessário dar à voz maior alcance, e poder, na sua falta, sustentar ao longe uma conversação por meio de sinais convencionados. Daqui um outro ramo da telefonia, que denominaremos telelogia, e daqui também a primeira telegrafia. Vê-se pois, ao que nos parece, que a telefonia compreende dois ramos diversos por essência; em um o que se pretende é aumentar a potência auditiva, no outro a potência vocal. O primeiro homem, que escutou atento, colocando a mão posteriormente à orelha, realizou um telefone rudimentar do primeiro género, como um do segundo foi realizado por aquele que, para falar ao longe, acurvou as mãos em derredor dos lábios, ou se serviu de um porta-voz. Se porém desta fase primitiva passamos a outras ulteriores encontramos aparelhos que podem reunir em si as funções de telefones dos dois géneros. Tal é o tubo acústico, que ainda hoje pode empregar-se com vantagem até à distância de 150 metros, e tal é também o moderno telefone Bell, o qual, se por um lado pode dizer-se que transmite as vibrações vocais de um dos interlocutores até junto do ouvido do outro, pode por outro lado considerar-se como realizando o transporte do pavilhão do ouvido até ao ponto em que o som se produz. Concebe-se até como é possível dar a este pavilhão artificial tal grau de sensibilidade, que do centro duma cidade populosa se possa, por meio dele, escutar o canto das aves em uma floresta distante de muitas léguas; resultado maravilhoso, mas que devemos considerar fatal, desde que, no intuito de consegui-lo, se pensou uma vez no emprego das correntes eléctricas. O que portanto entendemos dever saudar principalmente no telefone Belll, bem como nos ensaios que o precederam, não é a descoberta de novos telégrafos, os chamados telégrafos falantes; é sim uma aplicação, nunca antes feita, da electricidade, é a criação da telefonia eléctrica. Desde que as considerações precedentes se desenharam claras ao nosso espírito, para logo nos quis parecer que uma nova descoberta científica se anunciava para breve; seria a aplicação da electricidade à telescopia, ou a criação da telescopia eléctrica. Não se nos antolhava impossível a sua realização. Do mesmo modo que no telefone eléctrico o pavilhão do ouvido é, por assim dizer, transportado ao ponto em que o som se produz, e aí, recolhendo as vibrações em uma lâmina consegue transformá-las em correntes eléctricas, que vão recompor o som no aparelho receptor , - o que tudo, senão existissem as resistências interiores, tanto maiores quanto maior a distância a percorrer, deveria efectuar-se sem perda aparente de força viva, - tal se nos afigurava dever ser o mecanismo no telescópio que antevíamos. Uma câmara escura, colocada no ponto que houvesse de ser sujeito às observações, representaria, por assim dizer, a câmara ocular. Sobre uma placa, situada no fundo dessa câmara iria desenhar-se a imagem dos objectos exteriores, com as suas cores respectivas e acidentes particulares de iluminação, afectando assim diversamente as diversas regiões da placa. Tornava-se por tanto apenas necessário descobrir o meio de operar a transformação por nenhuma forma impossível, desta energia, absorvida pela placa, em correntes eléctricas, que em seguida recompuzessem a imagem. A importância da descoberta dum instrumento de tal ordem manifesta-se com demasiada evidência. Contudo não é talvez inútil advertir que esse telescópio eléctrico, quando realizado preencheria uma lacuna que a telescopia actual, a despeito de todos os seus progressos jamais poderia pensar em fazer desaparecer. E, de facto, salta aos olhos a impotência da telescopia catadióptica, quando se reflecte que, sendo possível a observação astronómica a distâncias quase infinitas, a lei da propagação rectilínea da luz, tanto directa como reflectida, ou refractada em meios homogéneos, se opõe a que possamos observar um objecto qualquer à superfície da terra, embora a distâncias incomparavelmente menores, uma vez que se ache abaixo do horizonte aparente do observador, o qual, como é evidente, delimita no espaço o lugar geométrico de todos os pontos observáveis. Com o novo telescópio, porém, desapareceria tal obstáculo; transformado em corrente eléctrica, o movimento luminoso percorreria docilmente o caminho que nos aprouvesse dar ao fio destinado a conduzi-lo; e de um ponto do globo terrestre seria possível devassar este em toda a sua extensão. Não podemos deixar de confessar que nos causava notável estranheza, em face da importância manifesta destas reflexões a da circunstância de serem elas uma naturalíssima consequência da descoberta dos telefones eléctricos, que nada que se lhes assimilasse nos tivesse aparecido em nenhum dos muitos artigos que havíamos lido sobre a matéria. Por tal motivo, fomos levados a pensar no modo prático de resolver a questão que nos preocupava, e chegamos a imaginar algumas experiências. Comunicámos desde logo as nossas ideias a alguns amigos e colegas e havendo-nos eles incitado a publicar estas considerações, com o fim de chamar a atenção dos práticos para a resolução de um problema de tal momento, começávamos a escrever um artigo sobre o assunto, quando nos veio à mão uma publicação recentíssima, e aí tivemos a satisfação de encontrar, pela primeira vez, alguma coisa sobre o instrumento, que pelas razões expostas denominamos telescópio eléctrico, e que ali se designa pela expressão equivalente de telectroscópio. Vimos então que aquilo de que não falavam os artigos que consultáramos, aliás de físicos distintos, não escapara ao já festejado professor, o sr. G. Bell. a quem a humanidade ficará sendo devedora de mais esta maravilha. "O telectroscópio, lê-se no referido livro, é um aparelho baseado, como o telefone, sobre a transmissão eléctrica. Compõe-se de duas câmaras colocadas uma no ponto de partida outra no ponto de chegada. Estas câmaras são ligadas entre si por fios metálicos convenientemente combinados. A parede anterior e interna da câmara de partida é eriçada de fios imperceptíveis cuja extremidade aparente forma, por sua reunião, uma superfície plana. Se colocarmos diante desta superfície plana um objecto qualquer, e se as vibrações luminosas, correspondentes às particularidades de forma e das cores deste objecto, depois recebidas por cada um dos fios condutores forem transmitidas a uma corrente eléctrica, reproduzir-se-ão identicamente na extremidade destes fios. Os jornais de Boston afirmam que as experiências feitas naquela cidade, foram coroadas de excelente resultado, mas torna-se necessário aguardar descrições exactas do aparelho para acreditar este anúncio.A primeira notícia que apareceu em Portugal sobre o telefone foi, ao que supomos, a que deu o Século de Coimbra em o nº 2 da 2ª série, correspondente a Dezembro de 1876; mas observaremos que essa notícia se refere ao instrumento tal como foi apresentado na exposição de Filadélfia, que diferia bastante do actual. Era ainda ao mesmo que se referia o Sr. W. Thompson no congresso de Glaskow, em setembro do mesmo ano (vid. Revue Scientifique de 20 de Janeiro de 1877). O novo telefone magneto-eléctrico do Sr, Bell só foi enviado para Inglaterra, e experimentado em reuniões públicas, no mês de Julho de 1877. Depois disso foi enviado para Paris ao físico construtor, o Sr. Breguet, e apresentado por este sr à Academia das Ciências na sessão de 29 de Outubro de 1877 (vid. Comptes rendus hebdomaires, 1877, 2º semestre); mas já antes disso se via a sua descrição na Revue Industrielle dos srs Fontaine e A. Buquet, VIII année, nº 43 (24 de Outubro de 1877), a qual dá também artigos que dizem ao assunto em os nº 17 (25 de Abril de 1877) e 48 (28 de Novembro de 1877). Na sessão da Academia das Ciências de Paris, de 26 de Novembro de 1877, foram feitas novas obervações sobre o telefone (vid. Comptes rendus, tomo LXXXV, nº 22). Em Portugal as primeiras experiências tiveram lugar em Novembro de 1877, com aparelhos mandados vir da Alemanha, e mais tarde com outros construidos pelo sr Hermann, da direcção geral dos telégrafos . As experiências a que el-rei assistiu tiveram lugar a 21 de Dezembro próximo passado entre o observatório de D. Luís e o da Ajuda; e a 25 do mesmo mês dava o jornal O Progresso, de Lisboa, uma interessante noticia sobre o assunto, a transcrição segundo cremos da conferência, feita no congresso da Royal Britannic Association, celebrado em Plymouth (secção de matemática e de física) pelo sr W. H. Preece, membro do Instituto dos engenheiros civis. Vid Revue Scientifique de 10 de Novembro de 1877.".. Pela nossa parte nada acrescentaríamos sobre a matéria, se não víssemos escritas as últimas palavras do trecho que acabamos de transcrever. À vista delas porém diremos que as experiências que tencionávamos realizar, e que ainda procuraremos levar a cabo, consistiam em ensaiar o emprego do selénio como placa sensível da câmara escura do telectroscópio. Este corpo, com efeito, goza de uma notável propriedade, cuja descoberta é de data muito recente. Quando interposto em um circuito eléctrico que passa em um galvanómetro, faz desviar sensivelmente a agulha deste, todas as vezes que um fascículo luminoso vem incidir sobre ele, e demais este desvio é diverso sob a influência das radiações de diferente cor. É o que mostram os seguintes algarismos, que indicam desvios do galvanómetro: Ultravioleta, 139; violeta 148; azul, 158; amarelo, 178; vermelho, 188; vermelho, 188; ultra-vermelho, 180. Estes resultados foram obtidos pelo sr. dr. Werner Siemens, de Berlim, o qual, preparando pequenas lâminas circulares de selénio, resfriadas depois de experimentarem uma temperatura de 210°, o que lhes dava uma sensibilidade extrema, chegou a construir um fotómetro duma grandíssima sensibilidade, bem como um curioso instrumento, uma espécie de olho artificial, de que seu irmão, o sr. William Siemens, fez uma curiosa descrição em Londres, em um dos saraus da Royal Society (Revue des deux mondes, tome vingt-cinquième, livraison du 1 Janvier 1878, page 240). Muito desejáramos que o selénio, aplicado ao fim que acabamos de indicar, pudesse produzir o desejado efeito, se não nas nossas, em outras mais hábeis mãos. Seria para nós um dia do maior júbilo aquele em que lográssemos ver o telefone eléctrico aperfeiçoado e o telectroscópio funcionando. Pelo que respeita ao telefone, cremos, com o sr. Breguet, que não dará tudo o que há dele a esperar, enquanto uma pilha lhe não for adaptada, enquanto o telefone voltaico não vier substituir o actual telefone magneto-eléctrico. Neste a força viva que tudo produz é somente a que o próprio experimentador põe em acção pelo trabalho vocal; podemos compara-lo a um veículo, cujo motor fosse o simplesmente o esforço da própria pessoa transportada. Não assim em um telefone voltaico, no qual a pilha seria um verdadeiro reservatório de força, que poderia convenientemente aproveitar-se do mesmo modo que é fácil dar a velocidade desejada a uma locomotiva, pois que isso se pôde dispor de um enorme excesso de força motriz. E estas mesmas razões nos parece estarem indicando que são também as correntes voltaicas aquelas que mais convirão à futura telectroscopia. Com estes dois maravilhosos instrumentos, fixo em um posto do globo, o homem estenderá a todo ele as faculdades visual e auditiva. A ubiquidade deixará de ser uma utopia para tornar-se perfeita realidade. Então, por toda a parte à superfície da terra, se cruzarão fios condutores, encarregados de importantíssima missão; serão eles os ductos misteriosos que conduzirão, até ao observador, as impressões recebidas pelos orgãos artificiais, que o génio humano soube transportar a todas as distâncias. E, do mesmo modo que a complexidade dos filamentos nervosos pode dar a ideia da perfeição superior de um animal, esses filamentos metálicos, nervos de uma outra natureza, testemunharão por sem duvida o grau de civilização do grande organismo que se chama.a humanidade.Porto, 20 de Fevereiro (de 1878). »
Translated excerpt 2 : « Without disputing the existence of incontestable analogies between Bell's telephone and the electric telegraph, it was always our individual opinion, since we began the study of this quesion, that between that chapter of physical science which may be called Telephony, and Telegraphy, there exist essential differences, as also between these two branches of the science and the chapter of Optics which treats of telescopes. And as this way of looking at it led us to direct our attention to a study, which, till a little while since, we had supposed entirely new, permit us to develope our ideas on the subject. When we meditate a little on the way in which communication between man and surrounding nature is established, two of the organs of our senses appear to reveal a superior importance. These are - the eye and the ear; - the two organs whose functions originated two of the most momentous branches of physics, Optics and Acoustics. And these being the organs specially destined for distant observation, it is not surprising that ever since he began to use them, man should have endeavoured to increase their sphrere artificially. Thus was invented in its most rudimentary form, the first Telescopy, and also the first Telephony, or rather a special branch of it, wich we might call Teleacoustics. For the relations between men nature destines especially organs which permit of vocal articulations. Words are thus originated, and these obtained subsequently a most useful form, when made permanent by writing. The voice, however, only being intelligible to a limited distance, and the transmission of writing requiring a post, always tardy in the accomplishment of its object, it became necessary to give the voice a more extended reach, and to be able, in the absence of it, to carry on a conversation at a distance by means of conventional signs. Hence another branch of Telephony, which we may call Telelogy, and hence also the first Telegraphy. It appears to us, therefore, that Telephony comprehends two essenrially different branches ; in one the auditory power is to be increased, in the other the vocal power. The first man who listened attentively, placing his hand behind his ear, realized a rudimentary telephone of the first kind, and the second kind was realized by the man who, to speak at a distance, first hollowed his hands in front of his mouth, or used a porte-voix. If, however, from the primitive phase we pass to ulterior inventions we find apparatus which can unite in themselves the functions of both species of telephone. Such is the acoustic tube, which even now is employed advantageously up to a distance of 150 metres, and such is the modern Bell's telephone, which, if on one hand may be said to transmit the vocal vibrations of one of the interlocutors to very near the ear of the other, may, on the other hand, be considered as realizing the transport of the concha of the ear to the spot where the sound is produced. We can conceive the possibility of giving this artificial concha such a degree of sensitiveness, that from the centre of a populous city one might listen to the songs of the birds in a forest many miles off ; marvellous result, but which we must consider attainable ever since, with the intent of accomplishing it, the use of electric currents was thought of. What we ought to greet principally in Bell's Telephone, as in the experiments which proceded it, is not the discovery of new telegraphs, the so called speaking telegraphs, but an application, never before made, of electricity, the creation of electric Telephony. Ever since the preceding considerations were clearly depicted on our mind, we could not help thinking that soon another scientific invention would appear ; the application of electricity to Telescopy, or the creation of electrical Telescopy. Its realization seemed to us in no wise impossible. In the same way as in the electric telephone, the concha of the ear is, so to say, transported to the point where the sound is produced, and there, uniting the vibrations in a diaphragm, these are transformed into electric currents, which recompose the sound in the receiving apparatus - all which, if internal resistances dit not exist, proportional to the lenght of wire, would be effected without apparent loss of live force - such we imagined ought to be the mechanism of the telescope which we predicted. A camera obscura, placed on the site of the observations, would represent in a way the ocular camera. Upon a plate at the bottom of this camera the images of exterior objects would be depicted, with their respective colors and particular accidents of illumination, affecting thus diversity the different portions of the plate. All that is wanting therefore, here, is the discovery of the method of operating the transformation, by no means impossible, of this energy absorbed by the plate, into electric currents, which should subsequently reproduce the images. [...] "The Telectroscope, we read in the book referred to, is an apparatus based, as the telephone, upon electrical transmission. It is composed of two cameras placed, one at the point of departure, and another at the point of two cameras placed, one at the point of departure, and another at the point of arrival. These cameras are united by metallic wires conveniently combined. The anterior inner face of the camera of departure bristles with imperceptible wires, whose apparent extremities form a plane surface -. If any object be placed before this surface, and if the luminous vibrations corresponding to the pecularities of form and colour of this object after being received by each of the conducting wires, are transformed into an electric current, they will be reproduced identically at the ends of these wires. The Boston newspapers affirm that the experiments made in that city were crowned with success, but it is necessary to receive exact descriptions of the apparatus, before crediting this notice." (Figuier, An. sc.) [...] With these two marvellous instruments, fixed on one spot of the globe, man will be able to extend to the whole of it, his visual and auditory faculties. Ubiquity, from having been utopian, will become perfect reality. Then, conducting wires charged with all important missions will cross and recross at the surface of the earth ; they will be the mysterious duets which will bring to the observer the impressions received by artificial organs, which human genious has made to compass any distance. And, just as the complexity of nervous filaments can give an idea of the superior perfection of an animal, those metallic filaments, nerves of another order, will testify to the high degree of civilization of the monster organism, - humanity.OPORTO FEB. 20th 1878. [For the english translation of the original paper, by Mr. WILLIAM MACDONALD SMITH] »
French translated excerpt 2 : « Pour nous, cependant, nous devons déjà le dire, sans combattre aucunement l'existence d'analogies incontestables entre le téléphone Bell et le télégraphe électrique, c'est notre opinion individuelle, dès que nous avons commencé l'étude de cette question, qu'il y a entre le chapitre de la physique, qu'on peut dénommer téléphonie, et la télégraphie, des distinctions essentielles, qu'on doit considérer de même entre ces deux branches de la science et le chapitre de l'optique qui s'occupe de la télescopie. Et comme par là nous avons été conduits à une étude, que nous croyons tout-à-fait nouvelle jusqu'à il y a très peu de temps, qu'on nous permette de développer davantage nos idées sous ce rapport. Quand on réfléchit sur la manière, par laquelle se trouve établie la communication de l'homme avec la nature qui l'environne, deux parmi les organes des sens nous révèlent tout de suite une importance supérieure. Ce sont l'oeil et l'oreille ; - les deux organes dont les fonctions ont donné naissance à deux parmi les grandes branches de la physique, l'optique et l'acoustique. Et comme ces deux organes sont essentiellement destinés pour l'observation à distance, il n'y a pas de quoi nous surprendre que, en les possédant, l'homme cherchât a en agrandir artificiellement la portée. D'ici, en sa forme embryonnaire, la première télescopie et de même la première téléphonie, ou mieux une branche particulière de celle-ci, qu'on pourrait dénommer télacoustique (de "entendre au loin"). Pour ce qui concerne les rapports de homme à homme, la nature a destiné spécialement des organes qui permettent les articulations vocales. La parole est ainsi originée, et bientôt elle parvient à prendre une forme nouvelle et tout utile, en se fixant par l'écriture. Mais la voix n'étant pas audible au delà d'une certaine distance, et le transport de l'écriture exigeant un courrier, dont les fonctions ne sauraient s'accomplir qu'avec un certain délai, bref devrait-on sentir la nécessité de donner à la voix une portée plus grande et de pouvoir même, en son absence, tenir au loin une causerie par des signes conventionnés. D'ici une autre branche de la téléphonie, qu'on pourrait dénommer télélogie, et de même la première télégraphie. On voit donc, nous paraît-il, que la téléphonie comprend deux branches, qui sont distinctes par essence. Dans l'une, ce que l'on prétend c'est d'agrandir la puissance auditive, dans l'autre la puissance vocale. L'homme qui le premier a écoulé attentif, en plaçant la main derrière l'oreille, a réalisé un téléphone rudimentaire du premier genre, comme un du second genre a été réalisé par celui, qui, pour parier au loin, a courbé le premier les mains autour des lèvres, ou s'est servi d'un porte-voix. Mais, si de cette phase primitive nous descendons à d'autres postérieures, nous trouvons des appareils qui rassemblent les fonctions de téléphones des deux genres. Tel est le tube acoustique, qui l'emporte encore sur tout autre téléphone pour des distances moindres de 150 mètres, et tel est aussi le moderne téléphone Bell, dont, si l'on peut dire d'un coté qu'il apporte les vibrations vocales d'un des interlocuteurs près de l'oreille de l'autre, sous un différent rapport, on peut le considérer comme réalisant le transport du pavillon auditif jusqu'au point où le son se produit. On conçoit même comment il soit il possible de donner à ce pavillon artificiel une sensibilité si grande que, au milieu d'une ville populeuse, il devienne possible d'entendre le chant des oiseaux dans une forêt distante d'un grand nombre de lieues: résultat étonnant sans doute, mais que nous devons considérer fatal, dès qu'une fois on a songé à l'application des courants électriques à un tel but. Ce qu'on doit, donc, à notre sens, saluer d'abord dans le téléphone Bell, ce n'est pas la découverte de nouveaux télégraphes électriques, les soi-disants télégraphes partants: c'est plutôt une application de l'électricité jamais auparavant faite, c'est la création de la téléphonie électrique. Aussitôt que les considérations précédentes ont ouvert voie dans notre esprit, nous avons senti tout de suite qu'une nouvelle découverte scientifique était sur le point d'éclore; ce serait I'application de l'électricité à la télescopie, ou la création de la télescopie électrique. Sa réalisation ne nous semblait aucunement impossible. De même que dans le téléphone électrique le pavillon de l'oreille est, pour ainsi la dire, transporté au point où le son se produit et là, en recueillant les vibrations dans une lime, parvient à les transformer en des courants électriques, qui à leur tour, recomposent le son dans l'appareil récepteur ce qui tout entier, si ce n'étaient les résistances intérieures, d'autant plus considérables que la distance à parcourir est grande, devrait s'effectuer sans perte apparente de force vive, - tel se préfigurait à notre esprit le mécanisme auquel devrait satisfaire notre nouveau télescope. Une chambre noire, placée au point à observer, représenterait la chambre oculaire. Sur une plaque, située au fond de cette chambre, irait se peindre l'image des objets extérieurs, avec ses couleurs respectives et les accidents particuliers de son illumination, affectant ainsi différemment les différentes régions de la plaque. Il ne fallait donc plus que de découvrir le moyen d'opérer la transformation, qu'on ne saurait considérer comme impossible, de cette énergie absorbée par la plaque, en des courants électriques, qui ensuite recomposassent l'image. [...] «Le télectroscope, lit-on dans le livre auquel nous venons de nous rapporter, est un appareil fondé, comme le téléphone, sur la transmission électrique. Il se compose de deux chambres placées, l'une au point de départ, l'autre au point d'arrivée. Ces chambres sont reliées entre elles par les fils métalliques convenablement combinés. La paroi antérieure et interne de la chambre de départ est hérissée de fils imperceptibles, dont l'extrémité apparente forme, par leur réunion, une surface plane. Si l'on place devant cette surface un objet quelconque. et si les vibrations lumineuses, répondant aux détails des formes et des couleurs de cet objet sont saisies par chacun des fils conducteurs et transmises à un courant électrique, elles se reproduisent identiquement à l'extrémité de ces fils. Les journaux de Boston affirment que les expériences faites dans cette ville ont parfaitement réussi ; mais il faut attendre des descriptions exactes de l'appareil pour croire à cette annonce.» Avec ces deux merveilleux instruments, fixe sur un point, 1'homme déploiera à toute l'extension du globe les facultés visuelle et auditive. L'ubiquité ne sera plus une utopie, elle sera une réalité parfaite. Alors, partout à la surface de la terre, se croiseront des fils conducteurs, chargés d'une mission de la plus haute importance; ils seront les conduits mystérieux qui apporteront à l'observateur les impressions subies par les organes artificiels que le génie humain aura réussi à transporter à toutes les distances. Et de même que la complexité des filaments nerveux peut donner l'idée de la perfection supérieure d'un animal, ces filaments métalliques, nerfs d'une autre espèce, attesteront sans doute le degré de civilisation du grand organisme qu'on appelle - l'humanité.Porto le 20 février 1877. »
Source : De Paiva, Adriano (1878), "A telefonia, a telegrafia e a telescopia" in O Instituto - revista científica e literária, XXV ano, Segunda Serie, Julho de 1877 a Junho de 1878, nº 9, pp. 414-421, Coimbra, Imprensa da Universidade, Março de 1878.
Urls : http://histv2.free.fr/de_paiva/telescopie2.htm (last visited ) http://histv2.free.fr/de_paiva/telescopie11.htm (last visited ) http://histv2.free.fr/de_paiva/telescopie1.htm (last visited ) http://deec.fe.up.pt/telescopia/teleart.htm (last visited )

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