NMSAT :: Networked Music & SoundArt Timeline

1901 __ « A cidade e as serras »
Eça de Queiroz (1845-1900)
Comment : « A Cidade e as Serras », the last and posthumously published novel by Eça de Queiroz, faithful of its title, conrasts the city and the country. The super-civilized city life of nineteenth-century Paris is demoniacally portrayed, and ruthlessly satirized. Conversely, the natural simplicity of life in rural Portugal is idyllically described. It should be remembered that it was the nineteenth century which witnessed the dissolution of the Arcadian ideals of the previous centuries. The enlightened idealism of Rousseau was displaced by the positivistic ideology of Comte and his followers. History was viewed as a series of self-improving steps on the temporal path to earthly paradise. The mechanical advances of the Industrial Revolution were envisioned as gigantic leaps towards the attainment of a higher state of civilization. The sociological study of human societies was to serve as a road map for the future, enabling man to avoid all unnecessary detours. Narrative art, under the aedgis of novelistic realism, was converted into a tool of observation. (René de Costa, "The Mythic Quest Theme in « A Cidde e as Serras »", In LBR Luso-Brazilian Review, Vol. V, no. 2, December 1968, pp. 71-79)In his article "Aesthetics and Ideology in Queirós's A Cidade e as Serras" Pedro Serra contributes to the study of Eça de Queirós's post-naturalist fiction, offering an in-depth view of traces of utopian socialism -- a major ideological influence in Queirós's intellectual generation -- in the aesthetic fabric of « A Cidade e as Serras » (1901) (The City and the Mountains). According to Serra, who reads this novel in light of Oliveira Martins's socialist idearium, Queirós's post-naturalistic writing exposes a complex network of late nineteenth-century cultural predicaments: the collapse of liberalism and realism paves the way to an ideological and aesthetical poetics of the novel that incorporates a paternalist socialism incarnated by Jacinto, the protagonist of the narrative. Serra suggests that Queirós's late poetics of the novel imply the anesthetization of "ethnic" determinations, a process that results from the Portuguese resistance to the nightmarish avatars of Modernity -- emblematically represented by Paris, a dystopian metropolis -- and that is represented in what Serra calls theatrum anthropologicum, a set of figures that determine the meaning of being Portuguese. (Purdue University Press)
French comment : En 1901, un an après la mort de Queiróz, fut publié une de ses oeuvres les plus importantes, “A cidade e as serras”, "La ville et les montagnes", qui sera traduit en français en 1991 par Marie-Hélène Piwnik sous le titre “202, Champs-Elysées”. Ce roman apparaît comme un développement de la nouvelle “Civilizaçäo”. On y retrouve le narrateur et son ami Jacinto, mais celui-ci est cette fois établi à Paris, au 202, Champs-Elysées. On retrouve également le théâtrophone à l'occasion d'une fête qu'organise Jacinto, pour un public choisi d'aristocrates et de mondaines. (André Lange)Dans le Paris de la fin du XIXe siècle, peuplé d'anarchistes, de poètes symbolistes, de dandies, de gros financiers boursicoteurs et de buveurs d'absinthe, se dresse 202, avenue des Champs-Élysées, l'hôtel particulier d'un jeune aristocrate portugais, Jacinto, prosélyte acharné de la modernité. Télégraphe, téléphone, gramophone, phonographe, cave d'eaux minérales, ascenseur et autres gadgets meublent cet hôtel, mais Jacinto en est devenu l'esclave et sombre dans la mélancolie. Finalement, ce nouveau Des Esseintes épris de modernisme, décide du jour au lendemain de renoncer à sa vie agitée et futile, pour se retirer en solitaire dans la montagne portugaise. Eça de Queiroz (ou Queiros), dans ce roman incisif, enjoué, où la décadence a du charme et de l'esprit, se livre à une dénonciation prophétique du danger des progrès d'une science mise au service de la puissance et du profit. Ce roman posthume a été publié en 1901 sous le titre « A cidade e as serras » (La ville et les montagnes), il a été traduit en français en 1991 par Marie-Hélène Piwnik sous le titre « 202, Champs-Élysées ». Ce roman est un développement de la nouvelle titrée « Civilização ». « La propriété que sa femme reçoit en héritage en 1892, à Santa Cruz do Douro, sera à l’origine du conte « Civilização » qui plus tard s’amplifie et se transforme en un roman « A Cidade e as Serras » (202, Champs Élysées), "Nouvelle phantaisiste", comme il l’a définie lui-même, pleine d’ambiguïtés subtiles et d’un grand épurement stylistique où il critique les exagérations de la civilisation technologique mettant en confrontation la vie artificielle dans les villes et la simplicité de la vie à la campagne. Eça de Queiroz y déclinait en somme une dichotomie qu’il expérimentait lui-même, le désir de vivre à Santa Cruz do Douro (Tormes dans le roman) sans pourtant pouvoir se passer des nombreux avantages, matériels et culturels dont il jouissait à Paris. Voici un petit chef-d’œuvre écrit à un moment particulièrement significatif, celui des retrouvailles de l’écrivain avec l’authenticité du Portugal rural, quand devenait plus aiguë la fatigue de l’existence citadine associée à sa santé très précaire, deux années après la profonde secousse que l'Utimatum anglais a provoqué chez lui. » (extrait d’un article d'A. Campos Matos, Instituto Camões, avril 2000). (Compiled from various sources)
Original excerpt 1 : « Deixára pender os braços, os hombros, descorçoado. Depois, com o seu lento andar balançado como o d'um velho piloto, atirando um pouco para traz as lapellas da casaca, foi saudar Madame d'Oriol, que toda ella faiscou, no sorriso, nos olhos, nas joias, em cada préga das suas sêdas côr de salmão. Mas apenas a clara e macia creatura, batendo o leque como uma aza alegre, começára a chalrar, S. Alteza reparou no apparelho do Theatrophone, pousado sobre uma mesa entre flôres, e chamou Jacintho: ―Em communicação com o Alcazar?... O Theatrophone? ―Certamente, meu senhor. Excellente! Muito chic! Elle ficára com pena de não ouvir a Gilberte n'uma cançoneta nova, as “Casquettes”. Onze e meia! Era justamente a essa hora que ella cantava, no ultimo acto da “Revista Electrica”...―Collou ás orelhas os dous «receptores» do Theatrophone, e quedou embebido, com uma ruga séria na testa dura. De repente, n'um commando forte: ―É ella! Chut! Venham ouvir!... É ella! Venham todos! Princeza de Carman, para aqui! Todos! É ella! Chut... Então, como Jacintho installára prodigamente dois Theatrophones, cada um provido de doze fios, as senhoras, todos aquelles cavalheiros, se apressaram a acercar submissamente um receptor do ouvido, e a permanecer immoveis para saborear “Les Casquettes”. E no salão côr de rosa murcha, na nave da Bibliotheca, onde se espalhára um silencio augusto, só eu fiquei desligado do Theatrophone, com as mãos nas algibeiras e ocioso. No relogio monumental, que marcava a hora de todas as Capitaes e o movimento de todos os Planetas, o ponteiro rendilhado adormeceu. Sobre a mudez e a immobilidade pensativa d'aquelles dorsos, d'aquelles decotes, a Electricidade refulgia com uma tristeza de sol regelado. E de cada orelha attenta, que a mão tapava, pendia um fio negro, como uma tripa. Dornan, esbroado sobre a mesa, cerrára as palpebras, n'uma meditação de monge obeso. O historiador dos Duques d'Anjou, com o «receptor» na ponta delicada dos dedos, erguendo o nariz agudo e triste, gravemente cumpria um dever palaciano. Madame d'Oriol sorria, toda languida, como se o fio lhe murmurasse doçuras. Para desentorpecer arrisquei um passo timido. Mas cahiu logo sobre mim um “chut” severo do Gran-Duque! Recuei para entre as cortinas da janella, a abrigar a minha ociosidade. O Philologo da Couraça, distante da mesa, com o seu comprido fio esticado, mordia o beiço, n'um esforço de penetração. A beatitude de S. Alteza, enterrado n'uma vasta poltrona, era perfeita. Ao lado o collo de Madame Verghane arfava como uma onda de leite. E o meu pobre Jacintho, n'uma applicação conscienciosa, pendia sobre o Theatrophone tão tristemente como sobre uma sepultura. Então, ante aquelles seres de superior civilisação, sorvendo n'um silencio devoto as obscenidades que a Gilberte lhes gania, por debaixo do solo de Paris, atravez de fios mergulhados nos esgotos, cingidos aos canos das fezes,―pensei na minha aldeia adormecida. O crescente de lua, que, seguido d'uma estrellinha, corria entre nuvens sobre os telhados e as chaminés negras dos Campos-Elyseos, tambem andava lá fugindo, mais lustrosa e mais dôce, por cima dos pinheiraes. As rãs coaxavam ao longe no Pego da Dona. A ermidinha de S. Joaquim branquejava no cabeço, nuasinha e candida... Uma das senhoras murmurou: ―Mas, não é a Gilberte!... E um dos homens: ―Parece um cornetim... ―Agora são palmas... ―Não, é o Paulin! O Gran-Duque lançou um “chut” feroz... No pateo da nossa casa ladravam os cães. D'além do ribeiro respondiam os cães do João Saranda. Como me encontrei descendo por uma quelha, sob as ramadas, com o meu varapau ao hombro? E sentia, entre a sêda das cortinas, n'um fino ar macio, o cheiro das pinhas estalando nas lareiras, o calor dos curraes atravez das sebes altas, e o susurro dormente das levadas... Despertei a um brado que não sahia nem dos eidos, nem das sombras. Era o Gran-Duque que se erguera, encolhia furiosamente os hombros: ―Não se ouve nada!... Só guinchos! E um zumbido! Que massada!... Pois é uma belleza, a cançoneta: Oh les casquettes, Oh les casque-e-e-tes!... Todos largaram os fios―proclamavam a Gilberte deliciosa. E o mordomo bemdito, abrindo largamente os dous batentes, annunciou: ―”Monseigneur est servi!”. »
Original excerpt 2 : « N'accordant pas le moindre intérêt à la fête qu'il organisait, Jacinto ne se mit guère en peine de lui donner du relief ou du brillant. Il se contenta de faire appel à un orchestre tzigane (les tziganes, leurs dolmans rouges, l'âpre mélancolie des czardas, faisaient encore vibrer les coeurs à Paris en ces temps-là), et ordonna de brancher le théâtrophone de sa bibliothèque sur l'Opéra, la Comédie Française, l'Alcazar et les Bouffes prévoyant pour tous les goûts, du tragique au polisson. [...] II avait laissé tomber les bras, les épaules, découragé. Puis, de sa lente démarche, chaloupée comme celle d'un vieux commandant de navire, tirant un peu vers l'arrière les revers de sa veste, il alla saluer Madame d'Oriol, qui scintilla de partout, du sourire au regard, des bijoux au moindre reflet de sa robe en soie saumon. Mais à peine la lumineuse et douce créature eut-elle commencé à gazouiller, battant de l'éventail comme d'une aile joyeuse, que Son Altesse remarqua le théâtrophone.En communication avec l'Alcazar ? Le théâtrophone ?.Parfaitement, Altesse. Excellent ! Très chic ! II avait tellement regretté de ne pas entendre Gilberte dans sa nouvelle chanson : « Les Casquettes » *. Onze heures et demie ! Mais c'était précisément l'heure à laquelle elle chantait, au dernier acte de la « Revue Electrique ». II colla son oreille aux deux récepteurs du théâtrophone, se figea, en extase, une grosse ride barrant son front têtu. Tout à coup, prenant sa voix de commandement, forte :.C'est elle ! Chut ! écoutez ! C'est elle ! Venez tous ! Princesse de Carman, mettez-vous là ! Tous ! C'est elle ! Alors, comme la prodigalité de Jacinto avait prévu deux théâtrophones pourvus chacun de deux fils, toutes les dames, tous les messieurs approchèrent avec soumission un récepteur de leur oreille, et se tinrent immobiles pour savourer « Les Casquettes » *. Et dans le salon rosé fané, dans la travée de la bibliothèque où planait un silence auguste, moi seul me retrouvai détaché du théâtrophone, les mains dans les poches) bayant aux corneilles. L'aiguille de l'horloge monumentale, qui marquait l'heure dans toutes les capitales, s'assoupit. Surplombant l'immobilité, le mutisme pensif de ces dos, de ces décolletés, l'électricité brillait, triste comme un soleil froid. Et de chaque oreille, que la main protégeait, pendait un fil noir, pareil à un méandre d'intestin. Dornan, affalé sur la table, avait fermé les yeux et méditait, tel un moine obèse. L'historien des ducs d'Anjou, le récepteur tenu délicatement du bout des doigts, dressait son nez pointu et triste et paraissait accomplir gravement un devoir d'étiquette. Madame d'Oriol souriait, tout alanguie, comme si le fil lui avait murmuré des douceurs. Pour détendre l'atmosphère, je fis un timide pas en avant. Mais aussitôt s'abattit sur moi un « chut ! » sévère du grand-duc. Je reculai me mettre derrière les rideaux pour y abriter mon inutilité oisive. Le psychologue de La Cuirasse, à distance de la table, tirant sur son long fil, se mordait la lèvre d'un air pénétré. La béatitude de Son Altesse, enfoui dans un vaste fauteuil club, était parfaite. A côté de lui, le sein de Madame Verghane palpitait comme une onde laiteuse. Et mon pauvre Jacinto, avec une consciencieuse application, se penchait tristement sur son théâtrophone comme on se penche sur un tombeau. Alors, face à ces êtres supérieurement civilisés, absorbant dans un pieux silence les obscénités que leur glapissait Gilberte, et qui couraient sous le pavé de Paris le long de fils immergés dans les égoûts ou ligotés aux canalisations des excréments, je pensai à mon village endormi. Le croissant de lune qui, accompagné d'une petite étoile, filait entre les nuages au-dessus des toits et des noires cheminées des Champs-Elysées, fuyait aussi là-bas, plus brillant, plus doux, par-dessus les pinèdes. Les grenouilles coassaient au loin, au bord de l'étang de la Dona. La petite chapelle de Saint-Joachim, là-haut sur la colline, répandait sa blanche clarté, toute nue, toute candide.. L'une de ces dames chuchota :.Mais, ce n'est pas Gilberte !... Et l'un des messieurs :.On dirait un cornet à pistons...Et là... Mais... ce sont des applaudissements !.Ah ! c'est Paulin ! Le grand-duc poussa un « chut » féroce. Dans la cour de notre maison, les chiens aboyaient. De l'autre côté de la rivière leur répondaient les chiens de João Saranda. Je me retrouvai, je ne sais comment, en train de descendre un petit sentier, mon bâton sur l'épaule. Et je sentais, entre les plis de soie des rideaux, monter dans un air doux et léger le parfum des pommes de pin crépitant dans la cheminée, la chaleur des étables filtrant à travers la palissade, et le murmure paisible de l'eau des biefs. Je fus réveillé par un beuglement qui ne sortait ni d'un parc à bestiaux ni de parages ombreux. C'était le grand-duc, qui s'était dressé et haussait rageusement les épaules :.On n'entend rien ! Que des nasillements ! Et un bourdonnement ! Quelle barbe ! Parce que c'est une beauté, cette petite chanson : Oh les casquettes, Oh les casque-e-e-ttes !... [en français dans le texte] Tous lâchèrent leur fil, déclarant que cette Gilberte était absolument exquise. Et le séraphique majordome, ouvrant largement la porte à deux battants, annonça :.Monseigneur est servi ! [En français dans le texte]. »
Source : De Queiroz, J.M. Eça (1991°, “202, Champs-Elysées”, traduction, présentation et notes de Marie-Hélène Piwnik, Editions de la Différence, Paris, 1991.
Source : Lange, André (1986), “Stratégies de la musique”, Pierre Mardaga, Bruxelles-Liège, 1986.
Source : Serra, Pedro (2009). "Aesthetics and Ideology in Queirós's A Cidade e as Serras." CLCWeb: Comparative Literature and Culture 11.3 (2009).
Urls : http://histv2.free.fr/theatrophone/eca.htm (last visited ) http://www.gutenberg.org/etext/18220 (last visited )

No comment for this page

Leave a comment

:
: